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5.10.15

O Estrangeiro - Albert Camus


"(...) Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que, em todos os casos, todas as vidas se equivaliam e que a minha aqui não me desagradava". (p.58)

30.9.15

A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera


"... nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores.
(...)Tomas repete para si mesmo o provérbio alemão: einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver senão uma vida é como não viver nunca". (p.14)

"Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e que se repete todos os dias, não é senão uma coisa muda. Somente o acaso tem voz". (p.54)

"Esse é um aspecto que escapou a Freud na sua teoria dos sonhos. O sonho não é apenas uma comunicação (às vezes uma comunicação codificada), é também uma atividade estética, um jogo da imaginação, e esse jogo tem em si mesmo um valor. O sonho é a prova de que imaginar, sonhar com aquilo que nunca aconteceu, é uma das mais profundas necessidades do homem. Eis aí a razão do pérfido perigo que se esconde no sonho. Se não fosse belo, o sonho poderia ser rapidamente esquecido". (p.64) 

"Certamente teria preferido dormir só, mas o leito comum permanecia o símbolo do casamento, e os símbolos, sabemos, são intocáveis". (p.89)

"Os extremos delimitam a fronteira para além da qual a vida termina, e a paixão pelo extremismo, em arte como em política, é um desejo de morte disfarçado"(p.100)

"Tomas compreendeu uma coisa estranha. Todo mundo lhe sorria, todo mundo queria que ele escrevesse a retratação, retratando-se faria todo mundo feliz. Uns ficavam contentes porque a proliferação da covardia banalizava suas próprias condutas, devolvendo-lhes a honra perdida. Outros estavam acostumados a ver em sua honra um privilégio particular, do qual não queriam abrir mão. Também nutriam um amor secreto pelos covardes. Sem eles, sua coragem seria um esforço banal e inútil - ninguém a admiraria". (p.184)

"Já havia compreendido que as pessoas se alegravam tanto com a humilhação moral do próximo, que jamais abriam mão desse prazer ouvindo explicações". (p.193)

1.9.15

Bolo de Aniversário


Quero contar uma historinha fofa pra vocês. Amo fazer aniversário e amo bolo, qualquer bolo, ainda mais de aniversário. Este ano escolhi fazer para a família o que mais gostamos de fazer juntos: um chá da tarde. Sempre gostamos de mesa cheia, comer e conversar até cansarmos da própria voz.
Chá da tarde é só o nome porque o que mais faz sucesso é o café mesmo. Então queria um bolo para tomar com café, desses mais simples, tradicionais, de vó. 
Aqui no vilarejo não tem nada (apesar de não faltar boleiras), mas têm alguns lugares que tenho um carinho especial porque me parecem um cantinho perdido, onde me sinto em casa. Um desses é a Bella Crema onde tudo é muitooo bom. Gosto de ir lá as vezes tomar um expresso com uma fatia de bolo e, por isso, foi o primeiro lugar que pensei para comprar um bolo pro meu aniversário. 
Até aí normal, a fofurice veio na hora de buscar a encomenda. Cheguei lá, pedi e tal. Sai da cozinha o atendente com um bolo lindíssimo brilhando e atrás dele uma senhorinha que logo descobri ser a boleira: 

- Era isso mesmo que você queria? Bolo de laranja com creme e fiz uma caldinha de laranja. 

Ela disse isso extremamente preocupada se tinha acertado, parecia imaginar que era um bolo muito simples. 

- Era isso mesmo! Para comemorar um aniversário numa segunda-feira com café está bom não está?

Ela sorriu aliviada: 

- Ah! Você escolheu o bolo perfeito! Parabéns! 

Pequenas coisas que fazem a vida ser bonita né!? <3 p="">

15.8.15

Histórias Extraordinárias - Edgar Allan Poe


"A desgraça é variada. O infortúnio da terra é multiforme. Estendendo-se pelo vasto horizonte, como os arco-íris, suas cores são como as dele, variadas, distintas e, contudo, intimamente misturadas. Estendendo-se pelo vasto horizonte como o arco-íris! Como é que, da beleza, derivei eu um exemplo de feiura? da aliança da paz, um símile de tristeza? Mas é que, assim como, na ética, o mal é uma consequência do bem, da alegria nasce, na realidade, a tristeza.Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as agonias que existem agora têm sua origem nos êxtases que podiam ter existido." - (do conto Berenice, p. 132)

"(...) Havia coisas à nossa volta das quais não podemos dar fiel testemunho - coisas materiais e espirituais - a atmosfera pesada - a sensação de sufocamento - ansiedade - e, sobretudo, aquela terrível condição de existência experimentada pelas pessoas nervosas, quando os sentidos estão vivamente aguçados e o poder de reflexão jaz adormecido." (do conto Sombra - Uma Parábola, p.143/144) 

12.8.15

Os Sete Minutos - Irving Wallace



"A última, redigida recentemente, era para lembrar-lhe o problema básico e insolúvel de toda cesura: 'Quem montará guarda aos próprios guardar?' - Juvenal" (p. 178)

"Se um homem não tem licença para ignorar certas verdades, e viver certas mentiras, onde irá encontrar essa paz de espírito?"(p. 225)

26.5.14

Um Caso Tenebroso - Balzac



"Em todos os processos criminais existia um juiz no criminoso e um criminoso no juiz, partes obscuras; a consciência tinha abismos onde a luz humana só podia penetrar pela confissão dos culpados". (p. 217)

"A presença do público foi o que sempre tem sido, o que sempre será em todas as ocasiões deste gênero, enquanto os costumes não forem reformados, enquanto a França não reconhecer que a admissão do público na audiência só traz publicidade, que a publicidade dada aos debates constitui uma pena de tal modo exorbitante que se o legislador pudesse adivinhá-la não seria capaz de a infligir. Os costumes são frequentemente mais cruéis que as leis". (p. 245)

19.4.14

Vozes


Ouvia vozes. Acontecia desde criança, mas nessa época ainda não sabia que isso era anormal. As vozes faziam parte de suas brincadeiras, eram amigos, personagens, não as estranhava. Achava mesmo que não tinham vontade própria, que ela determinava o que diriam. 
Na adolescência começou a perceber que aquilo não era algo que se passava na cabeça de todas as pessoas. As vozes eram seu porto seguro. Com elas discutia sua vida, as dúvidas, as incertezas, as paixões e as decepções de adolescente. Mas percebeu que as outras garotas do colégio pareciam não ter tantos conselhos internos assim. Então, decidiu que nunca contaria pra ninguém sobre todas aquelas vozes que conversavam com ela diariamente, o tempo todo. 
Foi um acontecimento específico e simples que a fez ter certeza que aquilo era loucura, que tinha algo errado com ela. Estava no trabalho. Era recepcionista de um hotel executivo. Passava todas as manhãs recebendo e atendendo os clientes. Entre uma fala e outra, ouvia ainda os amigos internos fazerem comentários sobre os clientes, reflexões sobre a vida, observações sobre o hotel. Então um cliente lhe pergunta "o que?" e ela se assusta. Não disse nada. Disse, só não entendi, falou baixinho. Não disse, foi impressão, seu cartão. 
Aquilo a incomodou. Realmente ela tinha dito algo, respondeu uma das vozes, mas tinha certeza que fora em pensamento. Agora já não tinha mais certeza se fora só em pensamento. Percebeu que se sempre respondia as vozes em voz alta, isto era realmente loucura. Nunca vira ninguém falando sozinho pela rua, só os bêbados e os loucos. Então, era louca. Ouvir vozes não era normal, muito menos respondê-las. 
Passou por um tempo em que se empenhou em ignorar as vozes, como se isso pudesse calá-las. Foi a pior fase de sua vida. Era um tormento constante. Elas não paravam, cobravam respostas, pediam atenção, se diziam tristes e abandonadas. Sentia-se desesperada e, mais ainda, sentia saudades. Era como se tivesse mudado pra longe de todos os seus amigos. Quando essa saudade machucou mais do que ela podia aguentar, voltou a falar com suas amigas. Foi recebida com festa e, para que ninguém mais soubesse de sua loucura, combinaram só conversar quando não houvesse ninguém por perto. 
O combinado funcionou. Sentia-se segura novamente. Sabia que era louca, que possuía um exército de vozes dentro dela. Vozes com timbre e personalidades diversas. Mas ela tinha uma vida normal e essa galera interna não a atrapalhava em nada. Aliás, só ajudavam. 
Conheceu Fernando. Casaram-se. Nasceu Lucas. Tudo isso com as vozes participando. Choraram em seu casamento. Ajudaram no parto. Ela nunca se incomodou. Sentia-se completa. 
Quando Lucas começou a falar, teve medo que ele fosse como ela. Investigou ao máximo os amigos imaginários do filho para garantir que não o seguiriam para o resto da vida. Suas vozes se magoaram com isso. Você preferia que a gente não existisse, queria ser normal. Então será. Foram embora. 
Passaram-se meses, anos. Nunca voltaram. Ela perdeu o chão, o rumo. Entrou em depressão. Toma remédios até hoje. 

28.2.14

O Cemitério de Praga - Umberto Eco


"Isso já me sugeria que, se fosse vender de algum modo a revelação de um complô, eu não devia fornecer ao comprador nada de original, mas só e especialmente aquilo que ele já compreendia ou poderia vir a compreender mais facilmente por outras vias. As pessoas só crêem naquilo que sabem, e essa era a beleza da Forma Universal do Complô" (p. 90)

"Veja bem, prezado advogado - disse o tabelião - talvez seja pelas tendências dos novos tempos, que não são como antes, mas até os filhos de boas famílias devem, às vezes, sujeitar-se a trabalhar. Se Vossa Senhoria se inclinar a essa escolha, na verdade humilhante, eu poderia lhe oferecer um emprego no cartório..." (p. 97)

"Em síntese, Simonini percebia que, para qualificar-se aos olhos dos serviços imperiais, devia dar a Lagrange algo mais. O que torna verdadeiramente fidedigno um informante da polícia? A descoberta de um complô. Portanto, ele deveria organizar um complô para poder denunciá-lo". (p. 198)

"Estamos gastando um bom dinheiro para organizar tumultos nos boulevards. Não é necessário muito, apenas poucas dúzias de ex-presidiários com alguns policiais à paisana; saqueiam-se três restaurantes e dois bordéis cantando a Marselhesa, incendeiam-se duas bancas de jornais e, então, chegam os nossos, uniformizados, e prendem todos, após um simulacro de luta. 
- E para que serve?
- Serve para manter os bons burgueses no auge da preocupação e para convencer a população de que são necessárias atitudes fortes. Se tivéssemos que reprimir tumultos reais, organizados não se sabe por quem, não nos safaríamos tão facilmente" (p. 236)

3.2.14

super_rock 18: Cancún, México

Eis que quando menos eu esperava, sem nenhum planejamento, vou parar no México. Sempre achei que começaria a cruzar as fronteiras pela América Latina. Jurava que seria para o Uruguai, país que venho namorando há mais de um ano. Então minha família decide ir pra Cancún e eu ganho a viagem. Dá pra dizer não?

Cancún é uma tripa de terra se estendo entre o mar do Caribe e a lagoa Nichupté. O sol surge de trás do mar e se põe atrás da lagoa. Dois espetáculos garantidos diariamente. É bem verdade que eu perdi este espetáculo por uns 3 dias premiados com muita chuva e frio, consequência da frente que caiu sobre o Canadá e os EUA. Os locais comentavam que nunca faz frio daquele jeito lá, que nem tinham roupa pra isso. Não só eles né? Turistada toda enrolada nas toalhas do hotel, tremendo de shorts e camiseta. 
Mas lógico que isso não me impediu de curtir e fui pra Tulum, cidade Maia há duas horas de Cancún. Debaixo de muita chuva, corremos o parque todo. É impressionante, está tudo muito preservado. Nessa cidade, que funcionava como um porto para o comércio com El Salvador, não havia pirâmides. Dentro da muralha que cercava as construções moravam o rei e a rainha em casas separadas, os intelectuais e a "nobreza" que não tinha este nome pra eles. Ao redor, fora da muralha, ficavam os camponeses e trabalhadores. O guia, descendente maia, deu milhares de explicações interessantes, mas a chuva castigava tanto que a memória só guardou o básico.

Depois de Tulum o sol apareceu e seguiram-se mais sete dias tropicais como esperávamos. Piscina, praia e muitos drinks. Delícia. A zona hoteleira de Cancún dominou a praia. Até hoje só existe uma família maia que não vendeu sua casa para os hotéis e está lá, no meio de dois hotéis enormes, vivendo como sempre viveu nos seus 300m2 de paraíso. 

Talvez por isso, a praia seja vazia. Apesar de ser alta temporada, de todos os hotéis lotados, a praia fica super tranquila. Principalmente o mar que quase ninguém entra. O que eu agradeço porque amo o mar e detesto ter que achar um pedacinho que dê pra curtir no meio da multidão. Águas turquesa que parecem um gel quando se olha da areia e ficam totalmente transparentes quando se entra, temperatura excelente sem choque térmico. Areia fina no começo, ao andar pro mar passa por uma parte de conchas quebradas que dói horrores o pé e na beira fica grossa. Nada de mar piscina, tem ondas e correntezas fortes, tem que saber lidar. 

O Gran Park Royal Caribe, onde nos hospedamos, é maravilhoso. Piscinas e bares muito bons. Tem 4 restaurantes e todos valem a pena. O Cocay é o restaurante principal que serve o super café da manhã, almoço e jantar que variam o cardápio. Para comer comida mexicana, tex mex e caribenha é o ideal. O La Concha serve frutos do mar, muito muito bom. O El Mirador é um restaurante italiano feito para descansar de frutos do mar e comida mexicana. E o melhor de todos para mim, o El Oriental, que serve pratos japoneses, chineses, indianos e tailandeses, além de ser lindo. Olhando de fora parece uma estufa. Internamente é que se vê que as enormes paredes de vidro dos 3 andares são cobertas por trepadeiras, deixando o local escuro e criando o clima exótico. 

Visitei também a famosa cidade de Chichen Itza (em maia lê-se chichen its rá). Ficar embaixo da pirâmide que "virou" maravilha do mundo foi meu momento mais especial na viagem. Foi a hora que eu pensei "nossa, olha onde eu estou". É linda, é impressionante, é fascinante. Dá vontade de subir, entrar, explorar tudo, mas todos os monumentos estão fechados para visitação. Uma história de depredações, pichações e acidentes levou a isso. Fiquei muito impressionada com o templo das mil colunas. No santuário deste templo, entre as colunas quadradas, eram feitos os sacrifícios. Já na enorme área de colunas redondas e perfeitamente alinhadas ficava o depósito de armas. É uma parte mais silenciosa do parque, as árvores fechadas, a posição do templo e das colunas dão uma cor mais acinzentada para o local. A sensação é de estar numa floresta de colunas. Uma dica valiosa para conhecer este lugar é tentar se livrar das agências, pagar um transporte direto e ficar no parque o dia todo. Isso porque as agências fazem passeios de 2h e o guia fala o tempo todo, se você não fugir do guia não vê o parque inteiro. Eu fugi, claro. Ah também é o melhor lugar para comprar artesanato maia. Além de ser realmente feitos por maias, o preço é muito menor. Nunca pague o primeiro preço, o normal para eles é negociar. Foi o lugar onde vi as mantas e as peças mais bonitas. Só que se você vai com agência e fica só duas horinhas, nem dá tempo.

No caminho para Chichen paramos em um cenote. Os cenotes são lagos que se formaram dentro das cavernas, uma característica da região da península de Yukatan que tem cerca de 250 mil cenotes. Os maias usavam esta água para beber. Por ser rica em cálcio, os deixou com a estatura baixa. Entrar dentro da caverna já é mágico, com um lago destes fica divino. 

O último passeio que fizemos foi para o Xcaret. Um parque natural que mistura tudo: zona arqueológica, atividades aquáticas, shows de danças típicas, encenações maias e mexicas, um teatro maravilhoso, animais como em um zoológico, trilhas por cavernas, passeio de barco, praia, degustação de vinhos... 

É enorme, caro, não dá pra ver tudo em um dia e vale a pena. Nadei num rio subterrâneo por 40 minutos, morrendo de medo das cavernas que tinham morcegos. Vi flamingos, muitos flamingos. Eles são lindos e engraçados, as penas são de um salmão muito vivo, brilhante. Vi também os gatinhos: pantera, onça e puma. Golfinhos, tubarões, tartarugas marinhas, peixinhos e bichinhos do mar. Visitei mais ruínas e uma representação do cemitério caracol maia. Terminamos o dia com um show muito bom contando a história da colonização mexicana. 

Ainda teve dia de compras e aproveitei pra sair experimentando tequilas. Gostei muito da Mañana. As tequilas são caras, mais barato que no Brasil sim, mas tudo fica muito caro pra gente lá. Eles tiram muito sarro da José Cuervo que para eles é boa só para combustível de carro. Ensinaram que a tequila tem que ser 100% agave, a Cuervo nem indica a porcentagem.
Em Cancún não é um bom lugar para ver a arquitetura típica mexicana. No caminho para Chichen passa-se por uma cidadezinha antiga, da época da colonização, onde se vê mais a arquitetura deste período. Curioso que se vê a praça cheia de pessoas com celular, tablet e notebook, porque a prefeitura disponibilizou o wi-fi ali.  Já Cancún é uma cidade nova construída para o turismo. Era um paraíso esquecido até que os hotéis chegaram e hoje é só isso que vemos na tripinha que corre para o mar: grandes hotéis, shoppings, restaurantes e o centro da cidade. 
Ah! E os mexicanos são muito simpáticos e comunicativos.

5.1.14

Mais livros - Usados e Achados


No fim de 2013 fiz algo que me parece tão grande quanto foi súbita a ideia: virei livreira virtual. Assim, como se vira mulher-maravilha.
Tenho um primo (que aliás admiro pra caramba) que trabalho com sebo há anos. Já teve sua estante lá na passagem da Consolação e dali nunca mais parou de trabalhar com livros usados. Desde que ele começou eu me interessei. Acho livro um negócio fascinante. Ficar rodeada de livros sem saber por qual começar me parece uma das definições de paraíso. Aí junto um lado meio estranho que é de gostar de descobrir a história daquilo que não tem mais valor para uma outra pessoa. Como meu fascínio por lugares abandonados. Tudo isso junto me fazia pensar "nossa que ideia legal ele teve" e por isso mesmo me sentia uma ladra aproveitadora em querer fazer o mesmo. O desejo ficou ali, esquecido por algum preceito ridículo que herdei dessa nossa cultura estranha. 
Mas no fim de 2013 fui ao Rio fazer um concurso e vi minha tia trampando como livreira também. Sem estante, banca ou loja física, ela iniciou a atividade apenas virtualmente e está tirando um troco. Entre conversas sobre minha situação financeira terrível, meu desejo de mudar de emprego e o que fazer enquanto não consigo outro, ela se empolgou em me mostrar como funcionava a sua estante e em me estimular a fazer também. Voltei do Rio decidida. 
Depois de correr atrás de livros e material, de aprender o básico pra começar e de conseguir ser aprovada como livreira no site que agrega livreiros, bancas e sebos do país todo, inaugurei minha estante no dia 18 de dezembro. Feliz é pouco. A visão completa do meu estado é me ver rindo alto cada vez que entro e vejo um pedido feito. Ou me ver preparando as encomendas e sorrindo ao empacotar os livros. Ou me ver separando, classificando, limpando, restaurando e sorrindo. Um amigo comentou "nossa você tem que cadastrar tudo, boa sorte com a digitação" e eu respondi, nada adoro ficar cadastrando porque aí eu conheço cada livro.
Por isso é possível que muito mais de livros apareça por aqui. Mas se não aparecer, é irem à fanpage ou ao site e aproveitarem! 

1.1.14

Tudo vai ser diferente?


Fui dormir ontem pensando na quantidade de mensagens que li sobre "isso é tudo besteira, nada vai mudar, é só mais um ano, mais um dia, não há mágica". E sorridentemente discordei delas. 
É lógico que não há mágica, é lógico que é só mais um ano e mais um dia. Mas não é lógico que nada vai mudar. Seja para o bom ou para o ruim a vida, o mundo, nós, estamos sempre mudando. Lentamente em alguns sentidos, mais rápidos em outros, avançando ou retrocedendo, estamos sempre mudando. De forma que o lógico é "as coisas vão mudar", só não sabemos o que, quando ou como. 
Se a mudança é certa, é também natural o desejo de que seja no sentido que nos faria mais felizes e satisfeitos com a vida. E não há nada de mau nisso. Como não há em atribuí-lo à uma data, a um ritual, à uma tradição. 
É uma questão de escolha. Podemos escolher não nos importarmos com isso ou podemos atribuir o significado que desejarmos. Escolhas são feitas com base nas necessidades. Há quem necessite não se sentir institucionalizado pela tradição, quem necessite da crença, quem necessite desprezar os desejos para não sofrer com as decepções, quem necessite apenas de um bom motivo para mais uma festa. 
Eu, consciente de tudo isso, escolho significar a data. Adoro dar significados as coisas, acho prazeroso. Tudo para mim precisa de um algo a mais - uma razão, um motivo, um desejo e uma beleza. Acho que é a vida é curta demais para ver a mudança no calendário ser só mais um dia. Se você colocar na minha frente um prato de arroz e feijão com bife e salada numa mesa e do lado colocar o mesmo prato numa mesa com um vaso de flor, eu escolho o segundo. Escolho pelo simples motivo de que há algo mais a ser desfrutado ali, a beleza da flor. Pode até ser que eu ache o vaso  super brega, então escolho para poder criticar o mau gosto do vaso. Mas sempre escolho o que me oferece mais. E um dia com festa e significado, me oferece muito mais que só mais um dia no calendário.
Não é uma escolha meramente romântica, o que, aliás, considero uma força. Mas é uma escolha dentre todas as possibilidades que poderiam definir a "Micaela". Não me importam os julgamentos, me importa a satisfação. Não me importam as convenções, me importam as escolhas. 
Entretanto, por ser crítica e escolher me manter assim, considero muito mau humorada a necessidade (ou a escolha) de desprezar aquele que significa o ano novo. Não signifique e não se importa com quem significa, isso não tem nada a ver com você. Talvez isso te decepcione, mas é verdade, não tem nada a ver com você. 

10.11.13

Domingo de sol e R.E.M

As mudanças que fiz no blog ontem e hoje reacenderam a vontade de escrever muito e muito aqui. Confesso que estava sem tema, mas o domingo de sol lindo que está fazendo no vilarejo me fez lembrar de um dia especial. 
Quando morava na província e dividia o apartamento com uma amiga, acordei num domingo como este bem cedo, fui fazer o café e coloquei R.E.M. pra tocar. O dia estava com cara de R.E.M. e foi uma sensação ótima quando a música começou a rolar. 
Depois de tocar umas duas músicas, minha amiga e seu rolinho saem do quarto sorrindo, me agradecendo e dizendo que foi delicioso acordar ouvindo R.E.M., que combinou perfeitamente com aquela manhã de sol. 
Então, aqui vai, R.E.M pra vocês :)


o eMe design é aqui


Este era o nome do meu blog sobre design de interiores, onde falava da área, coisas afins e divulgava o meu trabalho como designer e consultora de feng shui. Era, porque eu acabo de excluí-lo. 
Formei-me em designer de interiores pelo SENAC em 2007 e investi até metade do ano passado na carreira. Tive bons clientes e bons projetos. Fui fazendo os ajustes necessários e de 2009 pra frente investi mais nas consultorias em feng shui, onde fui ainda mais feliz. 
Mas a vida tem aquela mania de ir te levando pra onde ela quer e de repente me vi super envolvida com administração pública e amando a área, pensando em fazer pós e tal.
Ainda assim mantive o blog. Meu coração ainda doía de abandoná-lo totalmente. Mas a verdade é que desde janeiro não o atualizei uma única vez sequer. 
Percebi então que por mais que eu ame a área, o design entrou pro rol de experiências e capacidades que tenho. Não vou negá-lo e nem fechar as portas totalmente. Acho que nunca farei isso. Mas se é algo que faz parte de mim, então, tem que estar aqui no meu blog pessoal, onde me abro toda. 
Por isso importei o eMe design para cá. Vocês podem acessar as postagens antigas através do marcador e conferir as novas que virão por aí. Beijinhos.

1.9.13

30 rock: 36 dói


Fazer 36 anos está doendo já faz uns dois meses. Sensação de velhice mesmo. Aquela coisa de está mais perto dos 40 do que dos 30, agravada pela expectativa de vida para minha geração, que indica que 40 é metade dela. Dói.
Dói porque insatisfação é meu nome do meio. Insatisfação. Não ingratidão. Sei o que está bom, o que conquistei, o que vale ser aplaudido. Mas há pontos cruciais na minha vida, que afetam meu cotidiano, que venho lutando como uma vaca e só tomando na cara. E já tenho 36 e ainda estou tomando na cara sem saber como é que vou fazer pra mudar isso.
Se eu tivesse escrito este texto até o dia 30, daqui pra frente ele seria cheio de reflexões sobre estas questões. Sobre minhas dúvidas existenciais e minhas faltas. Entretanto, hoje é o primeiro dia do meu próximo ano, um domingo de sol lindo e eu estou de bom humor.
Entre as muitas mensagens lindas e calorosas que recebi (carinho aquece né!?), uma me lembrou a amiga Priscila Valdes dizendo em um ano novo que passamos juntas "preste atenção em como será o seu primeiro dia, porque essa será a sintonia do seu ano" ou algo assim que a velhinha aqui já não lembra as palavras exatas, mas lembra da conversa que é o importante. 
Então, começo meu novo ano com esperança (novamente, essa coisa estranha que não me abandona). Pode ser bom de novo, posso fazer novas escolhas, vai que dessa vez acerto! Mais do que isso, começo meu novo ano escrevendo. Estou escrevendo desde as 7h, quando acordei (não este texto apenas, várias coisas). Porque escrever é parte daquilo que me dá sentido e faz 36 anos parecer 23. 

31.8.13

22.7.13

Sobre críticas, a vida e a morte


Estava há pouco gastando meu tempo na frente da TV e ouvi um participante do Project Runway dizer "é difícil porque eles estão criticando a sua alma". Identifiquei-me. Muito. 
É exatamente esta a sensação que dá receber uma crítica ou um elogio para o que escrevo. Quando o faço, é a minha alma que vai para o papel (ou para a tela). Não importa se é uma poesia, um conto, um texto político ou uma crônica pessoal. Coloco o que sinto, o que vejo, o que reflito, o que acredito. Estou ali, nua, exposta, vendo os dedos apontados para mim dizendo coisas boas e ruins.
Quem critica está criticando a obra. O texto está bom, não está. Mas para quem está sendo criticado soa diferente. Algo como "você é bom, você não é". 
A primeira coisa que tive que aprender foi a lidar com a crítica. Críticas e elogios são necessários. Para que eu possa aprimorar a arte que escolhi, é necessário um feedback. Ninguém escreve só para si mesmo, mesmo que este seja o primeiro objetivo. Se assim o fosse, não era necessário publicar. Por isso é muito ruim o silêncio. O silêncio é a pior reprovação que poderia receber. É como dizer "isso que você fez não me causa nada".
E considero que isto não é uma característica só da escrita. A arte é assim. O artista se coloca no que produz e aguarda o impacto que causará. Fica esperando para ver a reação das pessoas. Vão gostar, vão se surpreender? Que emoções sentirão e como as devolverão ao artista? 
Quando fiz o curso de design de interiores, as apresentações de projetos eram emocionalmente estressantes. Além do processo de criação e dos percalços pelos quais passávamos para conseguir fazer o projeto, tínhamos que expô-lo à avaliação dos professores e das outras alunas. Lembro de todas as críticas que recebi, lembro o quanto doeram e o quanto tentei aprender com aquilo para me tornar uma designer. Mas uma das coisas que mais me incomodava era que não havia uma direção. Os defeitos estavam apontados. Ok. Então eu perguntava "mas fora os defeitos, fora isso, como está o projeto?" E nunca recebi uma resposta. Acho que não soube me expressar naquela época, mas o que eu queria era saber mais sobre tudo o que coloquei ali, o conceito foi compreendido? Há público para o que eu estou propondo? Dá para perceber um estilo? Tem forma? Porque colocar a alma no papel é difícil e, muitas vezes, só nós mesmos conseguimos entender o que fizemos.
Estas reflexões vieram junto com outras que estão me assombrando neste julho-inferno-astral. Este ano, somar mais um ano a minha idade está doendo. Fazer 36 anos está doendo. Estou questionando a vida, os sonhos, os planos. Estou lidando com aquele vazio do "não era assim que eu queria estar vivendo". 
Posso ainda somar a estas reflexões (e neuras) um triste acontecimento desta semana. Minha tia Dalva morreu. Além da dor do luto e da saudade, enquanto eu estava lá, olhando para ela e me despedindo, eu só conseguia pensar "não é justo, não deu tempo dela resolver várias coisas, não deu tempo de ver que logo tudo ficará bem novamente". Isso é muito injusto. 
Então minha necessidade de fazer a vida acontecer se intensificou, porque eu já tenho certeza de que não vai dar tempo. Não vai dar tempo de ler todos os livros que quero. Nem de viajar para o mundo inteiro. Nem de ver todos os shows que desejo. Não vai dar tempo de escrever tudo que imagino. Não vai dar tempo de muita coisa. Mas a vida e a morte são assim, injustas. Como algumas críticas. Às vezes. 

23.6.13

O perigo da informação falsa


Acho que sou uma viciada em fontes e créditos. Talvez porque escrevo e acho muito, muito ruim, não receber os créditos pelo que eu fui capaz de fazer e outro não. Da mesma forma, me preocupa a autoria indevida. Falei sobre isso no texto "Você pode assumir o que pensa, não precisa dizer que foi a Clarice Lispector", abordando especificamente a atribuição de frases NADA A VER* a famosos. Entretanto, apesar de ser quase a mesma coisa, quero me centrar desta vez na atribuição indevida de frases aos políticos que não gostamos. 

Com a nova onda de manifestações e protestos, cresceu o número de compartilhamentos, postagens e afins envolvendo os anseios e críticas políticas da galera. Acho lindo. Acho que demorou. Fico realmente contente de o povo pensar "é, tem um monte de coisa acontecendo, preciso entender melhor isso". E aos pessimistas já respondo que sim, os acontecimentos despertaram muita gente que sequer sabia o nome do governador do estado. Provavelmente esse será um dos ganhos. 

Mas aí o povo nunca ligou muito pra isso e vai se enfiando, lendo sem entender muito bem e reproduzindo. Ou compartilhando, passando pra frente. Foi aí que minha sirene de perigo soou. Tenho visto várias publicações mentirosas sendo super curtidas, compartilhadas, retuitadas e blábláblá. Porque fazem isso? Pela velha mania de confiar e não ir atrás de verificar a veracidade da informação que está passando pra frente. O que é muito, muito perigoso. É como agir igual a Globo (eu diria imprensa, mas assim fica mais fácil de entender). 

Quando repassamos uma mentira, qual é o objetivo? Difamação. E difamar um político por frases ou atos não cometidos vai mudar O QUE!? Não seria interessante, ou inteligente, ou JUSTO, que apenas o difamássemos com as merdas que ele faz e fala mesmo? Sério que precisa inventar? Além de ser totalmente desnecessário, já que nossos políticos nos oferecem grande material de difamação pessoal diariamente, pode ser enquadrado de várias formas, até crime.

E quem será que joga a fofoca de tiazinha na rede? Quem será que atribui uma frase ou um ato a um político ou partido X, para difamá-lo? Está claro que o outro partido, o outro político, os outros interesses né!? E você está lá, pagando de mané e divulgando uma informação que pode prejudicar a eleição, a imagem, o país. Chega a ser ingenuidade (dependendo da sua idade). 

Você deve sim compartilhar o que pensa, o que acredita. Criticar políticos, governos, partidos, ideologias, sejam quais forem os que você escolheu. Mas o faça com críticas embasadas, não com mentiras. Leia, estude, informe-se, confira a fonte, a veracidade. Pense. Reclamamos dos políticos que mentem, então mentimos para detoná-los! Ó, que inteligente! 

Não dá pra desejar um país mais justo se você quer mudar as coisas na base da mentira.

(* detesto capslock, mas usei para aumentar a ironia - leia como seu amigo gay falaria). 

14.6.13

Eu também quero falar


Estou numa cruzada por divulgar e defender as manifestações em São Paulo desde ontem. Vi e li tanta coisa que não aguento mais: eu também quero falar.
Começamos assistindo milhares de pessoas saírem de suas casas para protestarem contra algo muito específico: o aumento da passagem de ônibus. Isso representa o aumento do custo para se viver numa cidade como São Paulo, que tem um dos maiores custos de vida do Brasil. Representa a diminuição do poder de compra de todos aqueles que dependem de transporte coletivo. Representa que cortes na vida diária deverão ser feitos: talvez a cervejinha no fim de semana (mas também pra que beber?), ou a manicure (isso não é necessidade!), ou ainda a bolacha recheada que a criança pede no mercado (e desde quando criança precisa disso?). Representa que sua qualidade de vida vai diminuir, seus poucos prazeres talvez tenham que ser cortados, alterados ou diminuídos também, representa que você vai viver como se deve: trabalhando, pagando conta e sem reclamar.
Mas as pessoas estão cansadas de perder e decidiram reclamar. Há muito tempo estamos perdendo. Perdemos perspectivas, perdemos qualidade de vida, perdemos a esperança. Quando se perde tudo há duas coisas que acontecem: você resolve correr atrás do que perdeu ou desiste. Acredito até que desistimos por muito tempo. Eu desisti. Desde a adolescência envolvida em algum tipo de luta por uma sociedade mais justa, acabei me restringindo aos textos (até porque é o que faço de melhor mesmo). 
Então, no desenrolar dos acontecimentos, percebemos que simbolicamente este aumento representa também um cerceamento do nosso direito constitucional de ir e vir. Não é bem assim, pode ir e vir se puder pagar o preço disso. 
Então ontem aconteceu o pior. E o melhor. Ontem ficou claro para todos nós: perdemos o direito de nos manifestar contra. Não se pode mais ser contra nada e se for esteja preparado, você será agredido. Pela polícia, pelo governo, por quem não concorda com você, por quem desistiu, por quem tem dinheiro pra pagar o aumento, por quem vai ganhar dinheiro com o aumento, pelas mídias tradicionais, por quem acha que só por que tem carro não será beneficiado com a sua luta, por quem não tem a menor ideia do que as palavras direito, manifestação, justiça e igualdade, significam.
Perceber tudo isso reacendeu em mim a velha chama adolescente de "eu quero mudar o mundo" e, nossa, como é bom senti-la viva no peito. Quando li sobre as manifestações no Rio, em Porto Alegre e em Brasília só conseguia pensar em uma coisa: isso galera, em todos os lugares, vamos pra rua. Vamos nos manifestar pelo direito de nos manifestar. Vamos enfim dizer: não, aqui não malandro! Que não seja mais um #protestosp, mas um #protestobr.

Há dois pontos mais práticos que ainda quero falar. 

 - Acha o valor irrisório? Faça as contas: ida+volta= 6,40. Considerando uma pessoa que pega apenas um ônibus para trabalhar. Mensalmente isso dá R$ 192,00. Só para trabalhar. Nada de lazer, visitar a família, ir ao médico. O salário mínimo (e sim, tem muita gente que ganha só UM salário mínimo) é R$ 755,00. Isso significa que sobraram para esta pessoa R$ 563,00 para sobreviver. Significa que ela gastará cerca de 25% do seu salário com transporte SÓ para ir trabalhar.

- Li muitas postagens criticando as pessoas que estão divulgando na internet o que lêem, mais ainda àquelas que estão se manifestando a favor. Sou contra vocês. Porque pior do que quem é contra as manifestações por alguma questão política, é quem é contra quem está enfim tentando fazer parte desta história de algum jeito. "Ah era Renan, era Feliciano, tomate, agora é SP". Sim. E se surgir outro problema social que incite as pessoas, será esse. Porque quando o moleque que não entende nada, nem é politizado, lê a manifestação de quem entende e decide compartilhar, ele está escolhendo um lado. Aliás, uma escolha mais favorável a mudança do que a sua, que se acha O espertão por tentar ridicularizá-lo. Aliás isso faz parecer que o problema é justamente este: você que não está fazendo nada se considera melhor do que quem está compartilhando informação. Já está mais que provado que informação é o grande motor das mudanças no mundo, chegou a hora de você repensar. Não tem nada que contribua realmente para o debate? Então assista, fique quieto, se informe, leia e depois decida o que dizer.

"que eu me organizando posso desorganizar
que eu desorganizando posso me organizar"
(Chico Science)