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5.10.15

O Estrangeiro - Albert Camus


"(...) Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que, em todos os casos, todas as vidas se equivaliam e que a minha aqui não me desagradava". (p.58)

30.9.15

A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera


"... nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores.
(...)Tomas repete para si mesmo o provérbio alemão: einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver senão uma vida é como não viver nunca". (p.14)

"Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e que se repete todos os dias, não é senão uma coisa muda. Somente o acaso tem voz". (p.54)

"Esse é um aspecto que escapou a Freud na sua teoria dos sonhos. O sonho não é apenas uma comunicação (às vezes uma comunicação codificada), é também uma atividade estética, um jogo da imaginação, e esse jogo tem em si mesmo um valor. O sonho é a prova de que imaginar, sonhar com aquilo que nunca aconteceu, é uma das mais profundas necessidades do homem. Eis aí a razão do pérfido perigo que se esconde no sonho. Se não fosse belo, o sonho poderia ser rapidamente esquecido". (p.64) 

"Certamente teria preferido dormir só, mas o leito comum permanecia o símbolo do casamento, e os símbolos, sabemos, são intocáveis". (p.89)

"Os extremos delimitam a fronteira para além da qual a vida termina, e a paixão pelo extremismo, em arte como em política, é um desejo de morte disfarçado"(p.100)

"Tomas compreendeu uma coisa estranha. Todo mundo lhe sorria, todo mundo queria que ele escrevesse a retratação, retratando-se faria todo mundo feliz. Uns ficavam contentes porque a proliferação da covardia banalizava suas próprias condutas, devolvendo-lhes a honra perdida. Outros estavam acostumados a ver em sua honra um privilégio particular, do qual não queriam abrir mão. Também nutriam um amor secreto pelos covardes. Sem eles, sua coragem seria um esforço banal e inútil - ninguém a admiraria". (p.184)

"Já havia compreendido que as pessoas se alegravam tanto com a humilhação moral do próximo, que jamais abriam mão desse prazer ouvindo explicações". (p.193)

15.8.15

Histórias Extraordinárias - Edgar Allan Poe


"A desgraça é variada. O infortúnio da terra é multiforme. Estendendo-se pelo vasto horizonte, como os arco-íris, suas cores são como as dele, variadas, distintas e, contudo, intimamente misturadas. Estendendo-se pelo vasto horizonte como o arco-íris! Como é que, da beleza, derivei eu um exemplo de feiura? da aliança da paz, um símile de tristeza? Mas é que, assim como, na ética, o mal é uma consequência do bem, da alegria nasce, na realidade, a tristeza.Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as agonias que existem agora têm sua origem nos êxtases que podiam ter existido." - (do conto Berenice, p. 132)

"(...) Havia coisas à nossa volta das quais não podemos dar fiel testemunho - coisas materiais e espirituais - a atmosfera pesada - a sensação de sufocamento - ansiedade - e, sobretudo, aquela terrível condição de existência experimentada pelas pessoas nervosas, quando os sentidos estão vivamente aguçados e o poder de reflexão jaz adormecido." (do conto Sombra - Uma Parábola, p.143/144) 

12.8.15

Os Sete Minutos - Irving Wallace



"A última, redigida recentemente, era para lembrar-lhe o problema básico e insolúvel de toda cesura: 'Quem montará guarda aos próprios guardar?' - Juvenal" (p. 178)

"Se um homem não tem licença para ignorar certas verdades, e viver certas mentiras, onde irá encontrar essa paz de espírito?"(p. 225)

26.5.14

Um Caso Tenebroso - Balzac



"Em todos os processos criminais existia um juiz no criminoso e um criminoso no juiz, partes obscuras; a consciência tinha abismos onde a luz humana só podia penetrar pela confissão dos culpados". (p. 217)

"A presença do público foi o que sempre tem sido, o que sempre será em todas as ocasiões deste gênero, enquanto os costumes não forem reformados, enquanto a França não reconhecer que a admissão do público na audiência só traz publicidade, que a publicidade dada aos debates constitui uma pena de tal modo exorbitante que se o legislador pudesse adivinhá-la não seria capaz de a infligir. Os costumes são frequentemente mais cruéis que as leis". (p. 245)

28.2.14

O Cemitério de Praga - Umberto Eco


"Isso já me sugeria que, se fosse vender de algum modo a revelação de um complô, eu não devia fornecer ao comprador nada de original, mas só e especialmente aquilo que ele já compreendia ou poderia vir a compreender mais facilmente por outras vias. As pessoas só crêem naquilo que sabem, e essa era a beleza da Forma Universal do Complô" (p. 90)

"Veja bem, prezado advogado - disse o tabelião - talvez seja pelas tendências dos novos tempos, que não são como antes, mas até os filhos de boas famílias devem, às vezes, sujeitar-se a trabalhar. Se Vossa Senhoria se inclinar a essa escolha, na verdade humilhante, eu poderia lhe oferecer um emprego no cartório..." (p. 97)

"Em síntese, Simonini percebia que, para qualificar-se aos olhos dos serviços imperiais, devia dar a Lagrange algo mais. O que torna verdadeiramente fidedigno um informante da polícia? A descoberta de um complô. Portanto, ele deveria organizar um complô para poder denunciá-lo". (p. 198)

"Estamos gastando um bom dinheiro para organizar tumultos nos boulevards. Não é necessário muito, apenas poucas dúzias de ex-presidiários com alguns policiais à paisana; saqueiam-se três restaurantes e dois bordéis cantando a Marselhesa, incendeiam-se duas bancas de jornais e, então, chegam os nossos, uniformizados, e prendem todos, após um simulacro de luta. 
- E para que serve?
- Serve para manter os bons burgueses no auge da preocupação e para convencer a população de que são necessárias atitudes fortes. Se tivéssemos que reprimir tumultos reais, organizados não se sabe por quem, não nos safaríamos tão facilmente" (p. 236)

5.1.14

Mais livros - Usados e Achados


No fim de 2013 fiz algo que me parece tão grande quanto foi súbita a ideia: virei livreira virtual. Assim, como se vira mulher-maravilha.
Tenho um primo (que aliás admiro pra caramba) que trabalho com sebo há anos. Já teve sua estante lá na passagem da Consolação e dali nunca mais parou de trabalhar com livros usados. Desde que ele começou eu me interessei. Acho livro um negócio fascinante. Ficar rodeada de livros sem saber por qual começar me parece uma das definições de paraíso. Aí junto um lado meio estranho que é de gostar de descobrir a história daquilo que não tem mais valor para uma outra pessoa. Como meu fascínio por lugares abandonados. Tudo isso junto me fazia pensar "nossa que ideia legal ele teve" e por isso mesmo me sentia uma ladra aproveitadora em querer fazer o mesmo. O desejo ficou ali, esquecido por algum preceito ridículo que herdei dessa nossa cultura estranha. 
Mas no fim de 2013 fui ao Rio fazer um concurso e vi minha tia trampando como livreira também. Sem estante, banca ou loja física, ela iniciou a atividade apenas virtualmente e está tirando um troco. Entre conversas sobre minha situação financeira terrível, meu desejo de mudar de emprego e o que fazer enquanto não consigo outro, ela se empolgou em me mostrar como funcionava a sua estante e em me estimular a fazer também. Voltei do Rio decidida. 
Depois de correr atrás de livros e material, de aprender o básico pra começar e de conseguir ser aprovada como livreira no site que agrega livreiros, bancas e sebos do país todo, inaugurei minha estante no dia 18 de dezembro. Feliz é pouco. A visão completa do meu estado é me ver rindo alto cada vez que entro e vejo um pedido feito. Ou me ver preparando as encomendas e sorrindo ao empacotar os livros. Ou me ver separando, classificando, limpando, restaurando e sorrindo. Um amigo comentou "nossa você tem que cadastrar tudo, boa sorte com a digitação" e eu respondi, nada adoro ficar cadastrando porque aí eu conheço cada livro.
Por isso é possível que muito mais de livros apareça por aqui. Mas se não aparecer, é irem à fanpage ou ao site e aproveitarem! 

12.1.13

Tsunami


"Não há futuro. Não há vida. Não há nada. Apenas o fascismo dos homens, preocupados exclusivamente com o próprio prazer. Ah, se eles olhassem além das cabeças de seus paus..."

"Talvez goste tanto da noite por isso: a penumbra esconde os defeitos das criaturas. Todos permanecem iguais, borrados pela pouca luz."

"Existir é esperar. Aguardar o momento do desfecho."

"Compreender é para os fracos. Melhor só sentir."

"Mas nos tempos de violência e desamor, melhor passar o dia de pijama, fazendo palavras cruzadas, do que enfrentar o bando de sanguessugas do lado de fora."

"Mentira tem cheiro. Mentira tem cor. Mentira tem gosto."

(Retiradas de vários contos - Lara Pezzolo Fidelis)


21.12.12

Sorteio!



No Minha saia é mais justa fizemos neste mês uma entrevista com a Lara Fidelis, escritora e amiga que acaba de lançar seu primeiro livro "Tsunami". Ela, muito fofa, ainda nos doou dois livros para sortearmos entre os leitores. Então corre no blog ler sobre a Lara e o seu livro e, corre na fanpage do blog para participar do sorteio. 

Participar é super fácil, o sorteio rola no primeiro sábado de 2013, dia 06 de janeiro. Uma boa começar o ano ganhando um livro novinho né!? 


Só digo uma coisa, o meu já está garantido e não vou concorrer com vocês, fiquem tranquilos ;)

15.12.12

As Aventuras do Sr. Pickwick


"Parece, portanto, que o povo de Eatanswill, à semelhança do povo de muitas outras localidadezinhas, considerava-se importantíssimo, e que todo o habitante de Eatanswill, cônscio da força do próprio exemplo, se julgava obrigado a pertencer, de corpo e alma, a um dos grandes partidos que dividiam a cidade - o dos Azuis e o dos Amarelos. Ora, os Azuis não perdiam ensejo de fazer oposição aos Amarelos, e os Amarelos não perdiam ensejo de fazer oposição aos Azuis; e a consequência era que, toda vez em que se encontravam Azuis e Amarelos numa reunião pública, na Casa da Câmara, na feira ou no mercado, surgiam disputas e palavrões entre eles. Com essas dimensões, fora quase supérfluo dizer que tudo, em Eatanswill, se convertia numa questão partidária. Se os Amarelos propunham que se retalhasse a praça do mercado, os Azuis organizavam assembleias públicas em que atacavam a proposta; se os Azuis propunham a ereção de mais uma bomba na rua principal, levantavam-se os Amarelos como um só homem e pasmavam de tamanha enormidade. Havia lojas Azuis e lojas Amarelas, estalagens Azuis e estalagens Amarelas; na própria igreja havia uma nave Azul e uma nave Amarela. 
Era, sem dúvida, essencial e indepensavelmente necessário que cada um desses poderosos partidos escolhesse o seu órgão e representante: e, por consequência, havia na cidade dois jornais - a Gazeta de Eatanswill e o Independente de Eatanswill; o primeiro advogava os princípios Azuis e o segundo obedecia a uma orientação decididamente Amarela..." (Charles Dickens)

8.7.12

frases para guardar


"Constato e afirmo com tristeza: a inveja e a presunção campeiam nos meios de nossa melhor intelligentsia:  é me impossível esconder a verdade, pois lhe tenho sentido em carne própria as consequências".

"É nessas ocasiões, de desgraça e de tristeza, que se comprova o valor da cachaça".

"É óbvio que o talento e o saber não bastam para assegurar o êxito, a vitória nas letras, nas artes, na ciência. Difícil é a luta de um jovem pela notoriedade, áspero seu caminho. Lugar-comum? Certamente. Tenho o coração pesado e busco somente expressar meu pensamento sem me preocupar com pompas de estilo e fantasia.
Para obter-se pequeno aplauso, nome nas colunas, citação em jornais e revistas, vasqueiros bafejos do sucesso, paga-se alto preço em compromissos, hipocrisias, silêncios, comissões - digamos de uma vez a palavra exata: baixezas. Quem se nega a pagar? Entre os colegas de sociologia e musas, antropologia e ficção, etnologia e crítica, não sei de nenhum que tenha regateado. Em compensação, os de maior calhordice são os mais exigentes em matéria de integridade e decência - dos outros, é claro. Posam de incorruptíveis, proclamam-se caráter sem jaça, vivem com a boca cheia de dignidade e consciência, ferozes e implacáveis juízes da conduta dos demais. Admirável desfaçatez. Dá resultados, há quem neles acredite".
(Jorge Amado - Tenda dos Milagres)

17.3.12

10 livros para se ter na mesa de centro

Sou apaixonada por livros. Compro igual quem compra perfume pelo vidro. Pode ser que demore anos para ler, mas compro. E adoro usá-los na decoração. Acho um charme livros na mesa de centro. Exemplares bem escolhidos contribuem com cor e forma, demonstram o gosto e o estilo do morador, além de ser um mimo agradável para as visitas. Segue aqui uma listinha de 10 títulos que cumprem bem essas funções, escolha aquele que é mais a sua cara: 

1. 1001 discos para ouvir antes de morrer - Michael Lydon 















2. Cinquenta vestidos que mudaram o mundo - Design Museum














3. Gatos - David Alderton 














4. Digipop - Karim Rashid 














5. Mulheres Alteradas - Maitena (qualquer um dos 5 volumes)
















6. Larousse da Cerveja - Ronaldo Morado














7. Poptogramas - Daniel Motta 














8. The Polaroid Book - Taschen














9. Gil Elvgren - The Complete Pin ups - Taschen














10. Paris Interiors - Lisa Lovatt-Smith

8.1.10

O diário de mistress Joan Martyn

"... E o meu cérebro, que a princípio, ligeiro e alegre, pulava que nem uma criança brincando, sossegou a tempo de dar-se a um trabalho sério, não obstante seu contentamento. Pois foi nas coisas sérias da vida que eu pensei - tais como a velhice, a pobreza, as doenças e a morte, considerando que seria parte inevitável do meu destino encontrá-las; e considerando também as alegrias e as dores que se encadeavam sem trégua pela minha vida. Tudo que fosse de somenos não iria mais me alegrar nem incomodar como outrora. Apesar de isso fazer eu me sentir circunspecta, senti também já ter chegado a um momento em que tais sentimentos são sinceros...

Entretanto sou incapaz de dizer o que é que eu quero, apesar de ansiar pelo que espero de alguma forma secreta. Pois muitas vezes, e com frequência cada vez maior, à medida que o tempo passa, dou comigo de repente a interromper minha andança, como se eu fosse paralisada por um olhar estranho e novo sobre a superfície da terra que conheço tão bem. Um olhar que insinua alguma coisa; mas que se vai antes de eu perceber seu sentido. É como se um riso nunca visto furtivamente se estendesse num rosto bem conhecido; por um lado dá medo, no entanto por outro ele nos faz um sinal." (Virgínia Woolf - Contos completos).

20.3.09

frases para guardar



"Por algum motivo, os homens agonizantes sempre fazem perguntas cujas respostas já sabem. Talvez seja para poderem morrer tendo razão." (Marcus Zusak - A menina que roubava livros)

15.10.08

Aeroporto - Arthur Hailey


Acabo de ler este livro e adorei. Escrito em 1968, conta uma noite turbulenta no Aeroporto Internacional Lincoln, em Chicago, tanto pelo mau tempo como pelos acontecimentos que cercam seus funcionários e usuários.
Descrevendo detalhadamente cada parte do funcionamento de um aeroporto, os lucros e os problemas, Hailey cria uma atmosfera em que você se sente mais um prestes a embarcar no próximo vôo, tendo que sofrer todas as consequências de horas de problemas numa noite ruim. Paralelamente, descreve personagens esparsos, histórias isoladas ou unidas por fios tênues, que vão tomando corpo na história e envolvendo cada vez mais o leitor. Gradativamente aumentei minhas horas de leitura. Nos capítulos finais perdi o sono e não parei até o desfecho.
Se fosse atual serviria de manual pra entender a crise que assolou o setor aéreo brasileiro, mas não posso negar que enfim entendi a greve dos controladores de vôo.
O autor é inglês, antigo publicitário e dono de um método peculiar para escrever: escolhido um tema, passava anos pesquisando até que se esgotassem todos os detalhes do assunto, então escrevia, lentamente, chegando a trabalhar três anos em um único livro. Vale a pena ler!

22.5.06

a era da comparação

Quanto menos os homens estiverem ligados pela tradição, tanto maior será o movimento interior dos motivos, e tanto maior, correspondentemente, o desassossego exterior, a interpenetração dos homens, a polifonia dos esforços. Para quem ainda existe, atualmente, a rígida obrigação de ligar a si e a seus descendentes a um lugar? Para quem ainda existe algum laço rigoroso? Assim como todos os estilos de arte são imitados um ao lado do outro, assim também todos os graus e gêneros de moralidade, de costumes e de culturas. - uma era como a nossa adquire seu significado do fato de nela poderem ser comparadas e vivenciadas, uma do lado da outra, as diversas concepções do mundo, os costumes, as culturas; algo que antes, com o domínio sempre localizado de cada cultura, não era possível, sem conformidade com a ligação de todos os gêneros de estilo ao lugar e ao tempo. Agora uma intesificação do sentimento estético escolherá definitivamente entre as tantas formas que se oferecem à comparação; ela deixará perecer a maioria - ou seja, todas as que forem rejeitadas por este sentimento. Hoje ocorre igualmente uma seleção nas formas e hábitos da moralidade superior, cujo o objetivo não pode ser outro senão o ocaso das moralidades inferiores. É a era da comparação! É este seu orgulho - mas, como é justo, também seu sofrimento. Não tenhamos medo desse sofrimento! Vamos, isto sim, compreeder tão grandemente quanto possível a tarefa que nos é imposta pela era: a posteridade nos abençoará por isso - uma posteridade que se saberá tanto acima das originais culturas nacionais fechadas quando da cultura da comparação, mas que olhará com gratidão, como veneráveis aintiguidades, para ambas as formas de cultura. (Nietzsche)

17.2.06

"humano, demasiado humano"

"de fato, eu mesmo não acredito que alguém, alguma vez, tenha olhado para o mundo com mais profunda suspeita,e não apenas como eventual advogado do diabo, mas também, falando teologicamente, como inimigo e acusador de deus,e quem adivinha ao menos em parte as consequências de toda profunda suspeita, os calafrios e angústias do isolamento, a que toda incondicional diferença do olhar condena quem dela sofre, compreenderá também com que frequencia, para me recuperar de mim, como para esquecer-me temporariamente, procurei abrigo em algum lugar - em alguma adoração, alguma inimizade, leviandade, cientificidade ou estupeidez" (Nietzshe)