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15.7.11

Torçam por mim


Depois de várias correções, a crônica "Cena de fim de um amor" foi inscrita no Concurso literário da Academia Jundiaiense de Letras. O resultado sai dia 28 de julho. Vocês ficaram dizendo que gostam do que eu escrevo... acreditei!

14.7.11

Detalhes, fofos detalhes

Quase um ano depois eu, enfim, consigo retomar o blog. Entre muitas consultorias de Feng Shui e muita coisa pessoal acontecendo, o que mais toma forma é o projeto da loja eMe design.
Mês passado fiz o curso de empreendedorismo do SEBRAE e agora estou montando o plano de negócios. O projeto ainda leva um tempo para entrar em execução, há mais cursos que quero fazer e algumas viagens também, mas fico feliz de ver o quanto caminhei desde que me formei em design de interiores pelo SENAC.
Enquanto ralo do lado de cá, para fazer a loja virar, vou trazendo para vocês um pouquinho do meu trabalho, do feng shui e da minha vida. Nesta, a novidade é a casa. Mudei denovo. Eu adoro mudar. Agora meu upgrade foi uma sala de jantar e um escritório. Nada pronto ainda, vou mostrar apenas uns detalhes que já fazem muita diferença.
Lembram-se dos castiçais com velas vermelhas que coloquei na área do sucesso? (veja aqui "Apagão com design") Eles migraram para a varanda na frente da casa e ganharam velas marfim, para combinar:



Nesta casa estou mais verde. A plantinha na jardineira é só umas das várias que minha mãe plantou e me deu de presente. A tarefa agora é não matá-las! Geralmente eu as afogo. Já estão vivas há um mês e receberam adubo. Isso porque minha mama fez até um calendário dos dias de rega e adubo, conforme a espécie.
Um outro detalhe fofo e que também foi presente, são os gatinhos de madeira decorativos. A cliente e proprietária da casa quem me deu, dizendo que são os meus gatos. Coloquei os dois na sala de estar, um acima da porta de entrada e outro acima da porta da área íntima.



E esses são os originais: Lee ao fundo, com 7 meses e a Kim deitada na frente, com 10 meses. Sou completamente apaixonada por gatinhos.



Um detalhe importante, sempre sonhei em ter gatos pretos de olhos amarelos, mas nunca achava um. Comecei a pensar que teria que comprar, mas não existem gatis no Brasil que trabalhem com a raça Bombaim. Eles são mais comuns na Inglaterra e nos EUA. A Kim apareceu com sua mãe e 3 irmãozinhos no jardim de uma amiga. Ela também é apaixonada e ficou cuidando de todos, sem coragem de mandá-los embora. A mãe da Kim é enorme, linda, sem um único pelo branco. Mas por ser de rua, é absurdamente brava. Era impossível chegar perto dela. Os gatinhos também eram desconfiados e ficavam bravos com qualquer um. Mas a Kim dormiu no meu colo e eu não consegui mais soltá-la. Passados uns meses, uma colega do trabalho me oferece uma gatinha que ela achou abandonada numa rotatória com a mãe e mais dois irmãos. Resisti a princípio, mas já estava aceitando quando ela me trouxe as fotos e vi o Lee nelas. Quis tanto um gatinho preto, que atraí dois. Depois de começar a criá-los descobri que existem muitos gatinhos pretos abandonados nas ongs e que não conseguem donos porque no Brasil existe a ridícula superstição de que dão azar. Descobri até que em sexta-feiras 13 eles são maltratados, mutilados e mortos. Fiquei horrorizada e feliz por ter salvado dois deles desse destino. Meus gatos são amorosos, super apegados a mim (o que é uma característica da raça) e super educados. Espero que essa superstição seja ainda vencida pelo respeito. Para o Feng Shui, os animais são ótimos para o Chi e o equilíbrio, contanto que estejam saudáveis. Estimulam especialmente a área do Sucesso, fundamental para alcançar objetivos pessoais e profissionais.

2.7.11

Sobre pratos, pincéis e letras


Eu tenho necessidade de criar. Demorei um pouco pra perceber, confundia com inteligência e talento, porque não sabia exatamente o que eram cada uma dessas coisas. Aos poucos percebi que tenho necessidade de criar. Não criar me deprime, fico me sentido inútil, pequena, acaba com minha auto-estima. Mas quando crio, olho para a criatura e sorrio sozinha.
É assim com o blog. Cada vez que escrevo um post, releio-o umas milhares de vezes. Uma ao fim, para ver se era isso mesmo. Outras duas ou três quando decido publicar. Mais uma vez para cada comentário e, se não há nenhum comentário, mais umas vezes para ter certeza que gosto dele mesmo assim.
Só há um problema com minha criatividade. Ela não se divide. Há várias coisas que gosto de criar e só consigo direcionar para uma delas por vez. Se escrevo, não cozinho, não desenho, não invento nada novo para casa. Se resolvo dar um jeito na decoração da casa, não consigo escrever, nem cozinhar. Desenho porque meu desenho é justamente de objetos, projetos e idéias malucas em interiores. Mas se me aventuro na cozinha, o que adoro fazer, só consigo fazer isso e saio de lá esgotada. Apenas o prazer de comer é possível depois e não há como escrever ou desenhar ou mais nada.
Inveja do Picasso, que fazia vários quadros ao mesmo tempo, espalhados pela casa. Ia na cozinha e comia pintando o que lá estava, voltava para o ateliê e pintava um dos que estavam lá. Dizem que até no banheiro ele tinha um cavalete com uma tela esperando suas pinceladas. Não sou tão gênio, nem tão louca, assim.
Percebi que estas coisas eram minha expressão criativa gradativamente. Primeiro veio o cozinhar. Eu cheguei naquela crise horrorosa de "não sei o que gosto, não sei mais o que realmente gosto". Não, eu não estava na adolescência. Era a boa e velha adolescência dos 30. Isso estava me atormentando há algumas sessões de terapia, quando, no meio de uma conversa eu me ouvi dizendo "eu gosto de cozinhar". Parei a história no meio e sorri. Eu gosto de cozinhar. E tudo virou um deleite. Uma receita por dia, louca e alegremente. Cozinhar era a única coisa que tinha sentido, a única que eu sabia que realmente gostava. Lógico que pensei em fazer gastronomia. Foi pensando nisso que fiz um jantar para amigos em casa e mais do que cozinhar eu arrumei a casa, decorei tudo, da mesa ao banheiro. E recebi tantos elogios pelo prato quanto pela decoração. Foi assim que eu percebi que gostava de decorar e que decorar poderia ser um trabalho, mas que cozinhar era um prazer. Como não gosto de trabalho, não permiti que ele estragasse o meu prazer.
Escrever nunca me abandonou. Durante todo o tempo de reencontro, mesmo sem perceber, nunca deixei de escrever. Podia ser uma poesia tosca e rasgada depois, ou um texto super político, ou ainda no meu diário. Não importa o que, desde quando estava na terceira série e fiz minha primeira poesia sentada no chão, esperando minha mãe costurar alguma coisa pra mim, o que me fazia interromper meu momento criativo para as provas intermináveis, desde aquela tarde em que escrevi minha primeira estrofe, nunca mais parei. Só quando preciso cozinhar, ou desenhar, ou algo assim. E pelos últimos posts vocês podem imaginar que não ando nem trabalhando e nem comendo direito...

24.6.11

Porque elas ainda vão mudar o mundo


Virei tia aos 15 anos. Era como um sonho de menina. Eu olhava aquela coisinha branca de olhos azuis brilhando pra mim e só pensava em fazê-la rir até soluçar. Minha segunda sobrinha nasceu eu já estava na faculdade. Achei que nem me emocionaria tanto, pois já conhecia a emoção e a paixão que é ter sobrinhas. Mas quando entrei no quarto e a vi chorando no colo da minha irmã foi instântaneo: meus olhos se encheram de lágrimas, meu coração disparou e eu só sentia amor.
Hoje elas estão com 18 e 10 anos. Uma loirinha revoltada (já raspou e pintou de vermelho o cabelo, cheia de piercings e alargador) e uma mestiça delicada e fashion. Lindas e super carinhosas. Desde que nasceram eu me esforcei pra ser uma super tia. Dizia a mim mesma que não seria pra elas o que 90% das minhas tias e tios foi para mim.
Propositalmente criei coisas que fossem só nossas. Com a Tata (Tainá, a mais velha), virou lei irmos juntas nas estréias do Harry Potter, até ela me trocar pelos amigos, o que considero extremamente saudável. Passamos a rever os filmes juntas em dvd, com pipoca e brigadeiro de colher. Lemos todos os livros e ainda os discutimos, comparando com os filmes.
Com a Bibi (Gabriela, a minha japonesinha) criamos momentos do dia a dia, adoramos arrumar uma super mesa de lanche da tarde para surpreender minha irmã quando vem buscá-la na minha casa. Ela sempre faz um desenho para deixar em algum lugar da casa e poder me lembrar dela todos os dias. Depois que decidiu ser estilista, passou a fazer vestidos para mim.
Há também as falas que se tornaram só nossas. Com a primeira, desde que ela aprendeu a falar, brigamos por quem é que ama mais a outra. Até hoje, num simples e-mail, o final é sempre "eu que te amo". A segunda é muito engraçada e sempre detona minhas frases, como quando nos falamos ao telefone, me anuncio "É a tia mais legal do mundo!" e ela ri "Isso é você quem está falando..." ou me despeço "Eu já disse que te amo?" e ela ri denovo "Todo dia!".
Sempre que vão fazer compras chamam a Tia Mica. Desenvolvi uma fama de conseguir achar as coisas que elas gostam, do jeito que sonham e num preço pagável. Essa fama contagiou a família, mãe e irmãs também me chamam para ajudar nas compras. Conclusão: vivo no shopping!
A Tata é de gêmeos, meu ascendente. A Gabi é de virgem, meu signo. Com as duas tenho muitas afinidades e não consigo passar mais de dois dias sem conversar. Telefone, e-mail, msn, facebook, twitter, o que for! Temos que nos falar e temos que nos ver. Dificilmente passa uma semana sem que não nos encontremos. E quando acontece, dá uma saudade doída.
Eu sabia, aos 15 anos, que ser tia era uma coisa legal. Eu só não imaginava que era perfeito! Eu sabia que ia curtir. Só não imaginava que ia me encontrar e me reconhecer tanto nelas.
Minhas sobrinhas são minha inspiração. Já vejo nelas que a suas gerações são de mulheres e pessoas bem diferentes que a minha. Isso me conforta. Uma vez disse para elas "o meu sonho é que vocês me superem, que me provem que eu estou errada, que achem soluções, idéias e princípios melhores" Não tenho medo de olhar o mundo e perceber que não o domino mais como só os adolescentes são capazes. Seria triste demais se tudo continuasse igual. Essa renovação traz esperança de que realmente haverá um mundo melhor, já que eu não o mudei quando tentei.

19.6.11

nosso velho lugar

existe um velho lugar
de ondas bravas e sol brilhante
que visito de tempos em tempos
para lembrar de você

cada pedra continua em seu lugar
e meu coração dispara
oras de desespero, oras de alívio
olhando o sol e o mar

quando visito esse nosso velho lugar
posso ainda te ouvir confuso
dizendo amores e ódios ao meu ouvido
enquanto eu apenos olho você

achei que o tempo destruiria esse lugar
transformaria-o numa cabana velha
daquelas esquecidas, abandonadas
onde eu só sentiria o medo de reencontrar você


mas ele continua lá - intacto, brilhante
e eu continuo me sentando na areia
enquanto você anda de um lado para o outro
sem me enxergar.