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21.7.12

Fome


Não há palavra que defina melhor Rita do que esta: fome. Rita tem fome de tudo. É uma devoradora. Foi assim desde criança. Agora, aos 70 anos, olha para trás e constata isso. Sentada próxima a janela, olhando a grama verde lá fora, pensa que não há graça nenhuma em ficar olhando aquilo. Grama foi feita para pisar e  Rita queria era correr e descobrir o que vem depois. Tinha fome do que estaria ali guardado pra ela. 
Primeiro relembrou os amores. Foram muitos. Rita se apaixonava e mantinha uma fome constante por aquele homem até que esgotava todas as gotas daquele amor. Então, surgia outro. Não era possível pensar em um único amor para sempre, com tantos homens interessantes a se conhecer pelo mundo. Ninguém vive só de comer pizza. Existem muitas opções para se sentir apenas um sabor a vida toda. 
Alguns, a gente gosta mais e acaba querendo repetir quando dá. Foi assim com Antônio. Conheceu-o no Rio, em sua primeira viagem sozinha. Era o auge de Copacabana e Rita aceitou a sugestão de um estranho e foi experimentar o melhor filé do Rio de Janeiro. Durante o almoço, trocou olhares com o moço sentado do outro lado do salão e foi surpreendida por ele na calçada, se apresentando. Conversam andando na orla e ao fim da tarde já estavam apaixonados. Foram 10 dias no Rio vivendo este amor. Depois Rita voltou para sua vida, Antônio para a dele. Por muitos anos ainda se encontraram no Rio, passando ao menos um final de semana juntos. A fome por Antônio era constante. 
Um leve sorriso foi visto neste momento no rosto da senhora que apenas olhava a grama. Um sorriso para Antônio. 
Depois, relembrou os lugares. Rita morava em São Paulo e achava a cidade pequena. Viajou inúmeras vezes na fome de conhecer o mundo. Foi para todos os lugares comuns e para todos os inusitados que alguém indicava. De Paris a São Francisco, interior de São Paulo. Ia para todo lugar, se infiltrava, comia em todos os restaurantes, bebia em todos os bares, tirava todas as fotos e comprava todas as roupas. Até hoje tinha coisas trazidas dessas viagens entulhando a casa. 
Dessa vez foi impossível não rir mais descaradamente, sem se preocupar se alguém a enxergaria ali, olhando a grama e rindo sozinha.
Começou a chover. Uma chuva leve, dessas que molham mais que temporais, mas não fazem barulho. E Rita, relembrando a vida e sentindo todas as fomes saciadas apenas suspirou. Lembrou de Coco Chanel dizendo "é assim que se morre" e sorriu novamente. Adeus Antônio, adeus Paris. Enfim, eu não quero mais comer. 

8.7.12

frases para guardar


"Constato e afirmo com tristeza: a inveja e a presunção campeiam nos meios de nossa melhor intelligentsia:  é me impossível esconder a verdade, pois lhe tenho sentido em carne própria as consequências".

"É nessas ocasiões, de desgraça e de tristeza, que se comprova o valor da cachaça".

"É óbvio que o talento e o saber não bastam para assegurar o êxito, a vitória nas letras, nas artes, na ciência. Difícil é a luta de um jovem pela notoriedade, áspero seu caminho. Lugar-comum? Certamente. Tenho o coração pesado e busco somente expressar meu pensamento sem me preocupar com pompas de estilo e fantasia.
Para obter-se pequeno aplauso, nome nas colunas, citação em jornais e revistas, vasqueiros bafejos do sucesso, paga-se alto preço em compromissos, hipocrisias, silêncios, comissões - digamos de uma vez a palavra exata: baixezas. Quem se nega a pagar? Entre os colegas de sociologia e musas, antropologia e ficção, etnologia e crítica, não sei de nenhum que tenha regateado. Em compensação, os de maior calhordice são os mais exigentes em matéria de integridade e decência - dos outros, é claro. Posam de incorruptíveis, proclamam-se caráter sem jaça, vivem com a boca cheia de dignidade e consciência, ferozes e implacáveis juízes da conduta dos demais. Admirável desfaçatez. Dá resultados, há quem neles acredite".
(Jorge Amado - Tenda dos Milagres)

30.6.12

Sobre escolhas, objetivos e o outro


Sou uma pessoa super sociável. Nunca tive dificuldade para fazer amigos, falar em público, paquerar, me apresentar no primeiro dia de trabalho. Mas estou agora passando por uma fase, que tudo o que eu mais queria era ser um ermitão. 
Há tempos que são dedicados à conquista de um objetivo. Quem escolhe isso e se decide a fazer tudo o que for necessário para alcançar o que almeja, sabe exatamente o custo que lhe traz. E só quem escolhe sabe.  
Eu fiz uma escolha dessas há pouco tempo. Escolhi investir em algo que é o mais difícil de tudo pra mim. Estou 100% voltada a isso. Mente, corpo e coração. Minha concentração diária é total, todas as minhas energias estão voltadas para o meu objetivo. 
Consequência inevitável: o que vem de fora me atrapalha. Eu encontrei meu ponto de equilíbrio e racionalizei   para definir estratégias, tempo, metas. Estou ali, seguindo o script. Então, quando o outro vem na minha direção e propõe algo diferente, mesmo que com a melhor das intenções, ele desestabiliza o meu equilíbrio e me atrapalha. 
Desestabilizar é parte do crescimento. Mas há o tempo para cada coisa. Eu apenas comecei a caminhada, desestabilizar-me agora pode colocar toda a viagem em risco. Felizmente eu já me estabilizei de coisas piores na vida, como vencer a depressão por duas vezes. Felizmente eu me conheço o suficiente para fazer o que diz Joseph Campbell:

"Ache um lugar dentro de si onde haja alegria e a alegria expulsará a dor"

Para maioria das pessoas que tem um grande objetivo como o meu, a alegria é o prazer da conquista. Pensar em como será a vida quando todas as etapas estiverem completas é um alívio a esta tensão. Valerá a pena. 
Não é o meu caso. Eu vivo do presente. Não sei planejar nada muito distante. O futuro é pra mim um sonho bom, apenas confio que o dia de amanhã será melhor que o de hoje (motivo pelo qual eu acordo de bom humor na maioria dos dias). Então, eu preciso de uma alegria imediata. E eu já achei a minha. Eu me alegro com o caminho todo. Cada passinho pequeno que dou é como a grande conquista para mim. 
Talvez por isso precise de mim mesma 100% do tempo. Porque a cada dificuldade que enfrento, preciso respirar, me acalmar, superar e depois dizer "isso Mica, você está conseguindo". 
Talvez por isso o outro me desestabilize tanto. É comum, na intenção de ajudar, o outro dizer "você está fazendo errado" e que o certo é o que ele pensa que é o certo. Escolhas são pessoais, os caminhos também. Não posso exigir do outro que tenha a sensibilidade de me apoiar apenas, enquanto caminho. Até porque ele realmente acredita que está me apoiando quando me julga e me acusa. Quem tem que engolir o sapo sou eu. Por isso seria muito melhor poder tirar férias e viajar sozinha pra um lugar calmo em que eu possa ver o mar de manhã. 

24.6.12

Feng Shui: O Lo-Shu

A tradição chinesa conta que um dia saiu do rio uma grande tartaruga trazendo em suas costas o desenho de uma grelha e símbolos que simbolizavam nove números. Esta representação foi copiada, estudada e associada ao bá guá, ao trigramas e aos elementos, formando o quadrado mágico Lo-Shu. 

Os números no Lo-Shu estão posicionados de modo que a soma dos mesmos em qualquer direção seja 15. Este número está associado ao ciclo lunar. Cada número tem uma correspondência no bá guá e com uma área da vida, respectivamente. 


O Lo-Shu é usado para se determinar qual o número pessoal e qual a área ou aspiração tem relação com a pessoa. Também é aplicado à numeração da residência, descobrindo-se qual área está relacionada ao imóvel, influenciando os moradores e vida nele. 
A aplicação do Lo-Shu auxilia tanto no conhecimento de características e tendências pessoais, como indica as possíveis dificuldades comuns que a pessoa pode enfrentar conforme o guá a que se refere. Assim, descobre-se como ativar a área relacionando-a com seu morador específico e visando auxiliá-lo na conquista de seus objetivos.