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26.7.07

sobre culturas

Hoje recebi um mail e resolvi pensar um pouquinho sobre. Era uma música do Zé Ramalho chamada Estrangeirismo. Nem concordo tanto com ele, mas a música no final fica engraçadinha, principalmente o jogo semântico com a sintaxe e a gramática nacional.


Concordo no sentido que a língua, bem como o discurso, é o meio mais eficaz de se produzir a dominação de um povo, pois é verdadeiramente o bem cultural, o único, a que todas as pessoas têm acesso. Quando um povo perde sua língua, seu idioma, perde sua identidade cultural. Algo que aprendi com o José Saramago.

Os franceses por exemplo são chamados de metidos no mundo inteiro porquê se recusam a falar em inglês com os turistas: defesa de seu maior bem cultural. Se você vai até a casa deles porquê não pode tentar se comunicar no idioma local, aprender um pouco de francês não é algo tão absurdo assim. E por quê não ensiná-los um mínimo de português e assim difundir o nosso idioma também? Uma vez vi uma palestra de um cacique, ele estava indignado que o povo dele sabia respeitar a cultura e tradições do povo da cidade, tanto que se "cobriam" para andar na cidade. Mas não entendia porquê o povo da cidade, quando visitava sua tribo e sua casa, não era capaz de respeitar sua cultura e não tiravam suas roupas e pintavam sua pele...

Por outro lado não concordo com o exagero, beirando a teimosia, que só torna a idéia de preservação cultural uma coisa de velhos, chatos e intelectuais. Não concordo que a apropriação cultural de termos de outras línguas deva ser abominada, jogada na fogueira. Até porquê acredito que a mescla de culturas possa ser uma boa opção de diminuir as diferenças sem se perder as identidades.

20.4.07

Quando a barbárie sai do gueto - Paulo Sérgio Pinheiro e Marcelo Daher











A BALBÚRDIA em torno da necessidade do rebaixamento da idade de responsabilidade penal e da revisão do tratamento dado aos adolescentes infratores não é novidade no Brasil.

A busca da solução mágica na forma da lei e do discurso duro pedindo justiça tem sido a regra dos debates que sucedem crimes bárbaros, especialmente se cometidos fora dos guetos.

Basta ver o Datafolha do último domingo, que mostra crescimento do apoio à pena de morte: 55% da população é a favor da medida. O maior percentual de apoio (64%) está entre os que têm rendimento familiar superior a dez salários mínimos mensais.

E, no entanto, é nos guetos -favelas e bairros das periferias das metrópoles onde estão segregados os afrodescedentes e os pobres- que ocorre a maior parte dos crimes violentos e neles prevalecem as maiores taxas de homicídios de adolescentes e de jovens no mundo. Quase sempre essa violência encontra o silêncio e a indiferença como respostas.

3.4.07














língua grande
muito riso
cabelo black
corpo fino
a noite já era sol
e o dia não precisava ter fim
papel trocado
beijo calmo
número anotado
carinho guardado
um sonho talvez, começado

13.3.07

mais um dia

estou cansada
de deitar na minha cama
e abraçar meu travesseiro
lembrando como era
sentir teus dedos nas minhas costas
e adormecer
com tua mão no meu seio

estou cansada
desses dias e noites iguais
dessa esperança infinita
dessa esperança ridícula
desse desamor solitário
e tranquilo.